Eu hoje acordei com um sentimento que não sabia nomear, pude identificar nele uma mistura triste de tantos outros, quantas sessões de análise eu precisaria fazer para fugir disto? Ou seria mesmo sábio fugir de algo que em certa instância me faria crescer? Odeio essas perguntas todas rodopiando minha mente, sinto-me como na infância quando minha mãe me obrigava a andar na roda gigante e eu sempre vomitava, é assim que me sinto agora, nauseada.
Agora que fiz minhas anotações, e as li novamente, posso dizer que é amadurecimento, é deste mal que estou sofrendo agora, eu só não compreendo por qual razão crescer trás tanto sofrimento, quanto mais livros eu leio, mais homens me relaciono, mais sonhos afogo, mais medos eu crio e se tornam sucessivos escapes da saudade de ter cinco anos e cinco mil anos a menos de preocupações, envelheço na cidade cinza e desleixada, eu amei por mil anos as histórias em quadrinhos, e amaria por mais mil anos os contos de fadas, é uma pena precisar falar a verdade, afinal era tão melhor viver na terra do nunca, do que na terra das lojas de "grife".
Então sou a única com medo de olhar pra frente? Pois sinto que não é bem a idade quem me envelheceu, e sim a minha mente jovem que me escapou pelos dedos como areia, ouço canções sobre dor, sobre perder muito mais que ganhar, e há uma incrível conexão com a transição da infância para a fase adulta, sonhos destroçados, era tão bom sentir medo de montros em baixo da cama, pois hoje a gente só tem medo de não ter dinheiro para pagar as contas no final do mês, eu queria que chorar resolvesse tudo, mas como diria meu compositor favorito, Dallas Green: "Então eu vou cantar,e cantar..." Pois é, meus caros leitores, a gente não ganhou nada em crescer, se você realmente leu palavra por palavra do meu texto, e absorveu, certamente você compreendeu a infinidade de coisas que a gente perdeu.
Eu hoje acordei com um sentimento que tem nome, saudade, saudade de roda gigante.

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